segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A moqueca que Cabral, se não comeu, perdeu


Entre as primeiras chuvas da primavera e o final do verão, grandes cardumes de manjuba - pequeno peixe da família Engraulidae, a mesma da acciuga ou alice dos italianos - sobem o Rio Ribeira de Iguape, no litoral sul de São Paulo, em busca de lugares para desovar. Exceto de 26 de dezembro a 25 de janeiro, quando vigora o período anual de defeso (interdição oficial), os pescadores estão liberados para capturar milhares desses peixinhos e vendê-los aos moradores da região, o Vale do Ribeira. Entre outras preparações, as manjubas são temperadas, passadas na farinha de trigo e fritas em óleo muito quente; ou transformadas em casadinho, ou seja, cortadas em filé, temperadas, recheadas com ovas, envolvidas na farinha e igualmente fritas.
Pó-kêca. Nome indígena do prato veio de peixe embrulhado e assado - Revelando São Paulo/divulgação
Revelando São Paulo/divulgação
Pó-kêca. Nome indígena do prato veio de peixe embrulhado e assado

As duas receitas pertencem ao acervo da culinária caiçara, uma das mais tradicionais do Brasil, com raízes anteriores à colonização portuguesa. A culinária caiçara difunde-se na faixa que percorre as costas do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Seu nome é quinhentista. Os índios da família linguística tupi-guarani denominavam caiçara os troncos e galhos de espinhos de árvores fincados no chão para proteger suas tabas. Com o tempo, os mamelucos (mestiços de brancos e índios) também receberam a denominação e hoje ela se aplica aos habitantes do município de Cananeia, no litoral sul de São Paulo, e aos pescadores da região.

Mas, pelos significados que carrega, o prato de manjuba mais precioso da cozinha caiçara é uma moqueca feita na folha de bananeira. Já esteve ameaçado de extinção, pois seu preparo era doméstico e nunca interessou aos restaurantes. Agora, recupera o prestígio graças aos esforços de cozinheiros amadores como os artistas plásticos Remilton Rosa de Souza e Marcos Schmidt, ambos de Registro, igualmente no Vale do Ribeira. Eles o tem apresentado em eventos culturais do Estado difundindo uma receita autêntica (há variações importantes).

Na moqueca caiçara, filés de manjubas são temperados com limão, sal, salsinha e ervas (às vezes alfavaca, cebolinha, assa-peixe e coentro espinhoso), além de pimenta-de-cheiro e vermelha. Recebem tomates em pedaços e cebola picada. Ligados por farinha de mandioca e empacotados em folha da bananeira, cozinham na grelha. Antigamente, a preparação ia para o moquém (daí o nome do prato), a grelha de varas dos índios, usada para assar ou secar peixe e carne no borralho, ou melhor, em brasas cobertas de cinzas e sem labareda. Hoje existe uma variação heterodoxa, que a faz aberta para colocá-la no forno em travessa refratária. Nesse caso, dispensa a folha de bananeira.

A verdadeira moqueca de manjuba (há uma com ostra em Cananeia e outra com marisco, em Iguape, sempre no Vale do Ribeira) hasteia na mesa a bandeira nacional. E isso não só pelo verde da folha que a empacota e o amarelo do laço para amarrá-la. Nenhuma outra é tão brasileira. Luís da Câmara Cascudo, no capítulo Preceitos da Alimentação Brasiliense, de História da Alimentação no Brasil (Global Editora, São Paulo, 2004), sustenta que moqueca é prato indígena. Afirma que o nome deriva de pó-kêca, que significa "feito embrulho, embrulhado". "Partiu dos peixes enrolados em folhas e assados no calor do borralho", diz.

Joaquim da Costa Pinto Netto, no Caderno de Comidas Baianas (Tempo Brasileiro, Salvador, 1986), completa a explicação: "A moqueca de folha (...) era o peixe pequeno com muita pimenta, enrolado em folha de bananeira e depois moqueado". Só mais tarde, por influência portuguesa, o prato virou o atual ensopado de peixe dos baianos e capixabas. Segundo Guilherme Radel, no livro A Cozinha Africana no Brasil (Press Color, Salvador, 2006), o óleo de dendê presente na moqueca soteropolitana foi incorporado no século 18 e o leite de coco ingressou mais recentemente, por iniciativa do Boteco do Tião, imitada pelos restaurantes locais Bargaço, Yemanjá e Agdá. Original e puritana, a moqueca caiçara de manjuba aceita no máximo um fio de óleo de oliva.

Marcelo Mendes dos Santos: carreira meteórica

Resolvi postar essa matéria para mostrar como os filhos de Registro fazem sucesso fora daqui.


Data e local de nascimento: 24/01/1984, em São Paulo

O que faz: Gerente do Sheridan’s Irish Pub e do Bar Curityba, é também o diretor artístico das duas casas. Já trabalhou com o pai numa oficina mecânica e foi atendente de lanchonete antes de vir para Curitiba, há seis anos. Desde então, foi atendente, subgerente e gerente de uma loja Subway até entrar no Sheridan’s, onde foi auxiliar de garçom, garçom, caixa, recepcionista, barman, ajudou na cozinha, até começar a colaborar na programação musical (também é músico) e se tornar gerente

Hobby: “Curtir a minha família. Mas também tenho um violão em casa e gosto de baixar e editar músicas”

Ídolo: “Gosto do Jô Soares, acho ele muito inteligente, e me identifico com o Lars Ulrich [baterista do Metallica]”

Balada favorita: “Empório São Francisco”

O que falta na noite curitibana: “Um pub inglês, bem britânico, com elementos da cultura inglesa”

Música que mudou a sua vida: “’Sweet Child O’ Mine’, do Guns N’ Roses, e ‘Pais e Filhos’, da Legião Urbana”

Filme: “O Plano Perfeito, com Denzel Washington e Clive Owen”

Livro: “Anjos e Demônios, do Dan Brown”

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Viola e reisado



Para lembrar o dia dos Santos Reis, o Viola traz um reisado do interior paulista. Também as duplas Yassir e Rodrigo Sater e Muniz Teixeira e Joãozinho
O Viola, minha viola reafirma a promessa de trazer a cultura caipira com a chegada do Ano Novo ao divulgar uma das principais festas do homem do campo: a folia de reis. É a celebração do encontro dos três reis magos com o menino Jesus. O programa contará com um dos melhores grupos de reisado: a Folia de Reis Pedro Barros, de Miracatu (SP). Inezita Barroso também recebe a dupla Yassir e Rodrigo Sater, além de Muniz Teixeira e Joãozinho.
A dupla Rodrigo Sater e Yassir Chediak nasceu como Tiago e Juvenal, os violeiros-atores da novela Paraíso, da TV Globo. Mas a história de ambos com a música é muito mais antiga e profunda. Yassir é sobrinho do produtor musical Almir Chediak e adotou a viola como seu instrumento preferido. Rodrigo é parceiro e arranjador do irmão Almir Sater. A união dos dois resulta em um som novo para o repertório clássico da música raiz. Neste programa, apresentam composições de seu novo disco.
Muniz Teixeira e Joãozinho são de uma família de tradicionais violeiros e cantadores. Seu pai José Batista Filho era embaixador de folia de reis na região de Poços de Caldas (MG). Seus tios também eram violeiros e cantadores. A dupla nasceu há 10 anos, quando Joãozinho já era líder do regional do programa Viola, minha viola. Os dois lançam no programa o segundo disco da carreira.
A Folia de Reis Pedro Barros, de Miracatu (SP), apresenta uma formação singular. Além dos violeiros e cantadores, os foliões também se apresentam com reis magos. A apresentação obedece aos ritos tradicionais ao saudar o presépio, o Menino Jesus e os donos da casa. Após receber as ofertas, os foliões se despedem desejando um próspero ano a todos.

domingo, 1 de janeiro de 2012

domingo, 25 de dezembro de 2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

1º Encontro de Matrizes Africanas

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Alckmin e Haddad encampam ideia de diretório do PT


Folhapress

A ideia de transformar o antigo Juqueri em um campus de universidade federal em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, foi levada ao ministro Fernando Haddad (Educação) pelo PT de Franco da Rocha.

Só depois, diante do interesse de Haddad, a ideia foi apresentada ao governador Geraldo Alckmin. O projeto foi vendido como mais um exemplo da parceria entre os governos Dilma Rousseff e Alckmin, tendo desta vez Haddad como protagonista.

A proposta é que o campus use o prédio onde funcionava o Hospital Psiquiátrico do Juqueri, que pertence ao governo do Estado.

O projeto foi apresentado pelo presidente do PT de Franco da Rocha, Francisco Celeguim, o Kiko, a Haddad no mês passado, depois do lançamento do Pronatec.

O ministro adorou a ideia e pediu que o PT de Franco da Rocha tentasse marcar uma audiência com o governo de São Paulo.

Com a ajuda do deputado estadual Vicente Candido, o PT marcou a audiência de Haddad com o secretário Edson Aparecido (Desenvolvimento Metropolitano), que aconteceu na segunda-feira.

Enquanto Haddad expunha a ideia, Alckmin telefonou para o secretário Edson Aparecido, que colocou os dois para conversar. E ali selou-se o protocolo de intenções.

A fase "só love" entre Dilma e Alckmin preocupa os tucanos, que ainda patinam para escolher um candidato em São Paulo. Quando essa parceria tem o efeito colateral de aumentar a exposição do pré-candidato petista, o desconforto é maior.

Já no PT, as investidas de Dilma em solo paulista são vistas como uma oportunidade de o partido se cacifar para 2012. "O crédito a gente disputa depois", diz um dirigente petista.

Escrito por Vera Magalhaes às 15h19